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Dra. Ana Clara Gonçalves – Psiquiatra em Ribeirão Preto – SP

Sintomas, Causas e Tratamento

O TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) é uma condição do neurodesenvolvimento marcada por dificuldades persistentes de atenção, impulsividade e, em parte dos casos, hiperatividade. Ele acompanha a pessoa em diferentes fases da vida e, com diagnóstico adequado e acompanhamento profissional, na maioria dos casos há bom controle dos sintomas.

O que é TDAH?

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O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento, ou seja, tem origem no modo como o cérebro se desenvolve e organiza funções ligadas à atenção, ao controle dos impulsos e à regulação da atividade. Não se trata de falta de esforço, preguiça ou má educação, mas de diferenças no funcionamento de circuitos cerebrais relacionados às chamadas funções executivas, que ajudam a planejar, iniciar, sustentar e concluir tarefas.

Atendimento com Dra. Ana Clara Gonçalves

A Dra. Ana Clara Gonçalves é médica psiquiatra (CRM SP 216898 RQE 135224), formada pela Faculdade de Medicina Barão de Mauá, em Ribeirão Preto (SP).

Concluiu a Residência Médica em Psiquiatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP) e possui Título de Especialista em Psiquiatria.

Aprofundou sua formação com o curso de manejo psiquiátrico do Transtorno de Personalidade Borderline (GPM), certificado pela Harvard Medical School, aperfeiçoamento em Transtornos do Impulso e Dependências Comportamentais pelo Instituto de Psiquiatria da USP (IPq-USP) e curso em Transtorno Afetivo Bipolar pelo CCM Group, durante o Congress on Brain, Behavior and Emotions 2025.

Mantém atualização científica contínua por meio de cursos, congressos e atividades de aperfeiçoamento em Psiquiatria, além de priorizar o vínculo com o paciente, o acolhimento e a escuta ativa durante a consulta.

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Como o TDAH afeta a atenção e o comportamento

O TDAH costuma se manifestar em três apresentações principais, que variam de pessoa para pessoa:

– Predominantemente desatenta: dificuldade para manter o foco, tendência a se distrair com facilidade, esquecimentos frequentes e dificuldade em concluir atividades.
– Predominantemente hiperativa-impulsiva: inquietação, dificuldade em esperar a vez, falar em excesso e agir antes de refletir sobre as consequências.
– Combinada: presença de sintomas de desatenção e de hiperatividade-impulsividade ao mesmo tempo.

Essas características precisam estar presentes de forma persistente e causar impacto real na rotina — nos estudos, no trabalho ou nas relações — para que se considere o diagnóstico.

TDAH na infância, adolescência e vida adulta

O TDAH acompanha a pessoa ao longo da vida, mas se expressa de maneiras diferentes em cada fase. Na infância, tende a aparecer como agitação, dificuldade de permanecer sentado e desafios escolares. Na adolescência, a hiperatividade pode diminuir e dar lugar à desorganização, procrastinação e oscilações emocionais. Na vida adulta, muitas vezes se percebe dificuldade de gerenciar tempo, manter a atenção em reuniões e concluir projetos. Nem sempre o TDAH é identificado na infância; parte dos adultos recebe o diagnóstico apenas mais tarde.

Mitos e mal-entendidos frequentes

Alguns equívocos ainda cercam o tema. Vale esclarecer:

– “TDAH é frescura ou falta de disciplina”: trata-se de uma condição reconhecida, com base neurobiológica.
– “Só crianças têm TDAH”: o transtorno pode persistir na vida adulta.
– “Quem tem TDAH nunca consegue se concentrar”: é possível haver hiperfoco em atividades de grande interesse.

Compreender essas nuances ajuda a buscar avaliação adequada com um profissional. Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica.

Sintomas de TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) costuma se manifestar por meio de dois grandes conjuntos de sintomas: os relacionados à desatenção e os ligados à hiperatividade e impulsividade. Cada pessoa pode apresentar esses grupos em intensidades diferentes, o que ajuda a explicar por que o transtorno se expressa de formas tão variadas ao longo da vida.

Sinais de desatenção

Os sinais de desatenção envolvem dificuldade em manter o foco em tarefas que exigem esforço mental contínuo. É comum que a pessoa perceba impacto na rotina de estudos, no trabalho e nas atividades do dia a dia. Entre as manifestações mais frequentes estão:

– Dificuldade para concluir tarefas e tendência a deixar atividades pela metade.
– Distração fácil diante de estímulos externos ou de pensamentos próprios.
– Esquecimentos frequentes em compromissos e obrigações cotidianas.
– Dificuldade para se organizar, administrar o tempo e cumprir prazos.
– Perda recorrente de objetos, como chaves, documentos ou celular.
– Sensação de “desligar” durante conversas ou leituras.

Sinais de hiperatividade e impulsividade

Esse grupo reúne comportamentos ligados à inquietação e à dificuldade de conter reações imediatas. Em adultos, a hiperatividade pode se apresentar mais como um desconforto interno do que como agitação motora visível. Alguns exemplos:

– Sensação constante de inquietude ou necessidade de estar em movimento.
– Dificuldade para esperar a vez ou permanecer parado em situações que exigem paciência.
– Tendência a interromper conversas ou responder antes de o outro terminar.
– Decisões tomadas de forma precipitada, sem pesar consequências.
– Fala acelerada ou excessiva em determinados contextos.

Quando os sintomas merecem avaliação

Ter momentos de distração ou inquietação faz parte da experiência humana e nem sempre indica um transtorno. A avaliação psiquiátrica é indicada quando esses sinais são persistentes, aparecem em diferentes ambientes — como casa, escola ou trabalho — e geram prejuízo real no desempenho e nas relações. Se você percebe que esses padrões vêm afetando sua qualidade de vida de maneira contínua, uma avaliação profissional pode ajudar a esclarecer o que está acontecendo. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.

Causas e fatores de risco

Fatores genéticos e neurobiológicos

O TDAH tem origem multifatorial, ou seja, resulta da combinação de vários elementos, e não de uma causa única. Entre os fatores mais estudados está a herança genética. Pesquisas indicam que o transtorno tende a ocorrer com mais frequência em pessoas que têm familiares próximos também afetados, o que sugere uma predisposição transmitida entre gerações. Isso não significa determinismo: ter histórico familiar aumenta a probabilidade, mas não define, sozinho, que a condição irá se manifestar.

No campo neurobiológico, observam-se diferenças no funcionamento de regiões cerebrais ligadas à atenção, ao controle dos impulsos e à organização do comportamento. Alterações no equilíbrio de determinados neurotransmissores — as substâncias responsáveis pela comunicação entre os neurônios — também fazem parte desse quadro. Esses achados ajudam a compreender por que o TDAH é considerado uma condição do neurodesenvolvimento, e não uma questão de falta de esforço ou de disciplina.

Fatores ambientais e gestacionais

Além da carga genética, alguns fatores relacionados ao período da gestação e aos primeiros anos de vida podem contribuir para o risco. Entre eles, costumam ser citados:

– Exposição a substâncias nocivas durante a gravidez, como tabaco e álcool
– Prematuridade e baixo peso ao nascer
– Complicações no parto que afetem a oxigenação cerebral
– Exposição precoce a determinadas toxinas ambientais

Vale reforçar que a presença desses fatores não confirma o diagnóstico. Eles são associações estudadas em grupos populacionais, e cada caso precisa de avaliação individual.

Condições que podem coexistir

O TDAH frequentemente aparece acompanhado de outras condições, chamadas comorbidades. Reconhecê-las é importante para um acompanhamento adequado. Entre as mais comuns estão transtornos de ansiedade, alterações do humor, dificuldades de aprendizagem, transtornos do sono e, em alguns casos, comportamentos impulsivos. Identificar essas coexistências durante a avaliação médica permite um plano de cuidado mais completo e ajustado às necessidades de cada pessoa.

Como é feito o diagnóstico

A avaliação clínica e a história de vida

O diagnóstico do TDAH é essencialmente clínico, ou seja, não depende de um único exame de laboratório ou de imagem que confirme a condição. Ele se baseia em uma avaliação médica cuidadosa, conduzida ao longo de uma ou mais consultas, com escuta atenta da história de vida da pessoa.

Durante essa avaliação, alguns pontos costumam ser explorados:

– Como os sintomas de desatenção, agitação ou impulsividade se manifestam no dia a dia;
– Desde quando essas características estão presentes, com atenção especial à infância e ao período escolar;
– Em quais contextos as dificuldades aparecem (trabalho, estudos, relacionamentos, tarefas domésticas);
– O impacto real dessas dificuldades no funcionamento e no bem-estar da pessoa.

Um critério importante é que os sinais precisam estar presentes em mais de um ambiente e trazer prejuízo consistente, não sendo explicados apenas por uma fase difícil ou um momento pontual de sobrecarga.

Uso de escalas e informações complementares

Para organizar a avaliação, o médico pode utilizar escalas e questionários padronizados. Essas ferramentas ajudam a mensurar a intensidade dos sintomas, mas não substituem a análise clínica: funcionam como apoio à investigação.

Reunir informações de diferentes fontes tende a enriquecer o processo. Relatos de familiares, do parceiro ou parceira, e, quando possível, registros escolares antigos ou avaliações de profissionais que acompanham a pessoa podem oferecer uma visão mais ampla do histórico. Em alguns casos, uma avaliação neuropsicológica é solicitada para detalhar aspectos da atenção, memória e funções executivas.

Diagnóstico diferencial

Parte fundamental do processo é excluir outras condições que podem produzir sintomas semelhantes. Ansiedade, alterações de humor, dificuldades de sono, questões de aprendizagem e determinadas condições clínicas podem imitar ou se somar ao TDAH.

Por isso, o médico investiga esses fatores e, quando necessário, solicita exames para descartar causas físicas. Esse cuidado evita conclusões precipitadas e favorece um plano de acompanhamento mais adequado a cada pessoa. O diagnóstico correto é o ponto de partida para as próximas etapas.

Tratamento e acompanhamento

O tratamento do TDAH não segue uma fórmula única. Cada pessoa apresenta um conjunto próprio de sintomas, dificuldades e contextos de vida, por isso o plano terapêutico é construído de forma individualizada. Na maioria dos casos, a combinação de diferentes abordagens oferece melhor controle dos sintomas e mais qualidade de vida, sempre com acompanhamento médico contínuo.

Abordagens medicamentosas sob avaliação médica

Em parte dos casos, o tratamento pode incluir medicamentos, sempre indicados e monitorados por médico após avaliação criteriosa. A decisão considera a intensidade dos sintomas, a idade, condições de saúde associadas e a resposta individual ao longo do tempo.

– O uso de medicamentos é personalizado e ajustado conforme a evolução de cada paciente.
– O acompanhamento periódico permite avaliar benefícios, tolerância e possíveis efeitos.
– Nem todo paciente precisa de medicação; essa definição cabe ao médico junto à pessoa e à família.

O objetivo não é uma promessa de resultado imediato, mas o manejo dos sintomas de desatenção, impulsividade e agitação de maneira segura.

Psicoterapia e estratégias comportamentais

O acompanhamento psicológico ocupa papel central no manejo do TDAH. Abordagens como a terapia cognitivo-comportamental ajudam a desenvolver habilidades de organização, regulação emocional e controle da impulsividade.

– Estratégias práticas para lidar com prazos, planejamento e foco.
– Trabalho sobre autoestima e relações interpessoais afetadas pelos sintomas.
– Orientação a familiares e, quando aplicável, à escola ou ao ambiente de trabalho.

Rotina, hábitos e acompanhamento contínuo

Ajustes no dia a dia complementam o tratamento e favorecem resultados mais consistentes ao longo do tempo. Sono regular, atividade física, alimentação equilibrada e organização de tarefas contribuem para reduzir o impacto dos sintomas.

O TDAH é uma condição crônica, e o acompanhamento contínuo permite adaptar o plano conforme as fases da vida. Reavaliações periódicas ajudam a manter o controle dos sintomas e a preservar o bem-estar. Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica individual.

Perguntas Frequentes

TDAH tem cura?

O TDAH é uma condição crônica do neurodesenvolvimento. Não se fala em cura, mas há tratamento e, na maioria dos casos, bom controle dos sintomas. O resultado depende da avaliação individual, da adesão ao acompanhamento e da presença de outras condições associadas.

TDAH é só falta de atenção ou também tem hiperatividade?

O TDAH pode se apresentar de formas diferentes: predominantemente desatento, predominantemente hiperativo-impulsivo ou combinado. Nem todas as pessoas têm hiperatividade evidente, o que explica por que muitos casos passam despercebidos, especialmente em adultos.

Adulto pode ter TDAH mesmo sem ter sido diagnosticado na infância?

Sim. Os sintomas costumam surgir na infância, mas muitas pessoas só recebem o diagnóstico na vida adulta. A avaliação médica considera a história de vida desde a infância para compreender o quadro atual.

O tratamento do TDAH é sempre com medicamento?

Não necessariamente. O plano é individualizado e pode combinar medicamentos, quando indicados sob avaliação médica, com psicoterapia e estratégias de organização e rotina. A decisão depende da avaliação de cada pessoa.

Como saber se preciso procurar um psiquiatra por suspeita de TDAH?

Quando dificuldades de atenção, organização, impulsividade ou inquietação são persistentes e prejudicam estudos, trabalho ou relações, vale buscar avaliação. Apenas uma consulta pode confirmar o diagnóstico e orientar os próximos passos.

TDAH pode vir acompanhado de outros problemas?

Sim. É comum a coexistência de outras condições, como ansiedade, alterações do humor ou dificuldades de aprendizagem. Por isso o diagnóstico e o acompanhamento devem ser conduzidos por um médico, considerando o quadro completo.

Saiba Mais

– Conselho Federal de Medicina (CFM) — [LINK: https://portal.cfm.org.br/]

– Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) — [LINK: https://www.abp.org.br/]

– Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA) — [LINK: https://tdah.org.br]

– Organização Mundial da Saúde (OMS) — [LINK: https://www.who.int/pt/about]

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